3.11.11

Se não rompermos com as circunstâncias opressoras, acabamos submergindo nelas. E se formos insensíveis, covardes ou medrosos, a submersão no tédio e no horror pode até nos agradar. Nesse caso, o futuro que teríamos igualmente sucumbe.
Fico pensando.
Eu sempre fico pensando


MINHA ALMA É LOUCA — E MEU CORPO É LIVRE. NÃO POSSO MAIS DOMESTICÁ-LOS.


O céu tem todas as respostas. O céu azul, o nebuloso, o metafórico, o religioso e até mesmo o céu poético, romântico. Todo artista, todo filósofo, todo poeta, todo pensador — todos os loucos gostam de observar o céu. Estou agora vendo o sol nascer laranja. Fico olhando para o céu azul do Guarujá, manchado de púrpura e cereja. O dia vai abrindo a sua boca, calmamente, alegremente, como se o próprio Deus bocejasse ao meu redor. E eu fico aqui — meditando, ouvindo pássaros, pensando na Vida, tomando café... Um bela hora pra colocar minhas idéias em desordem outra vez.


ENQUANTO A GENTE CUIDA DA RAZÃO, DEUS TOMA CAFÉ.


Primeiro você tem que salvar-se de si mesmo. Só depois é que vai salvar-se desse outro que te oprime. Teu maior carrasco mora dentro de você. MS-98044. Às vezes, tenho vontade de escrever algo mais sério e mais profundo, mas logo me contenho, porque aqui é um blog de ensaios poéticos e loucuras despretensiosas. Não sou especialista em Freud, mas gosto muito dele, e o leio bastante. Suas teorias encantam a todos que procuram conhecer um pouco mais da alma humana. O criador da Psicanálise tem sacadas brilhantes. Essa da interiorização é uma delas. A chamada interiorização simbólica da autoridade, que ocorre desde a nossa infância, levanta em nosso peito uma barreira impressionante. Quase intransponível. Não vou contar aqui a história toda, mas, se o tema te interessa, dê um google por aí. O fato é que a culpa, o medo, a vergonha irracional, o preconceito, a ignorância — todas essas coisas horrorosas nos afastam do amor e da alegria, da liberdade e do prazer. Enfim, é mais ou menos isso que eu quero dizer agora, enquanto tomo café com meus lírios e pássaros.


EXISTEM CERTAS PESSOAS MUITO MELHORES DO QUE AS PESSOAS CERTAS.


O conflito normal pode ser inteiramente consciente. Ao contrário, o conflito neurótico é sempre inconsciente. No conflito normal, é possível a escolha concreta entre duas ou mais possibilidades que se apresentem, desde que sejam julgadas racionalmente, todas de algum modo desejáveis. Quaisquer coisas desejáveis: caminhos, projetos, pessoas. A decisão é prática, mesmo que isso possa ser às vezes penoso, e requeira alguma espécie de renúncia. Já o conflito neurótico não traz consigo a liberdade de escolha, mesmo que eventualmente dolorida. A pessoa enredada num conflito neurótico é impelida por forças igualmente compulsórias em direções opostas — e não raro contraditórias. Direções as quais não pode ou não quer seguir nenhuma, porque quer, sem poder, seguir todas. Ou não quer abandonar nenhuma daquelas que já iniciou ou já tomou. Pensa que todas são certas, todas necessárias; ou nenhuma é certa, nenhuma é boa. A pessoa assim está encalhada. Emocionalmente encalhada. Quer separar-se e tem medo de perder o outro. Quer o outro livre mas o quer também como posse. Às vezes, quer se livrar do outro, mas não quer perdê-lo. Quer ficar, e também quer partir — mas nem parte, nem fica integralmente. Às vezes, parte levando o corpo e deixa a alma, outras vezes, manda embora a própria alma e permanece. De qualquer forma, se fica, ou se vai, sempre fica, ou vai — em partes, nunca inteira, nunca com totalidade, nunca com integridade. Baixam-se os padrões, a monotonia se instala. O relacionamento vai sendo composto por partes, aos pedaços. E esses pedaços, esses cacos, não mais conseguem satisfazer quem quer que seja. Aliás, esses cacos, esses pedaços, podem até satisfazer uma certa categoria de pessoa: — o medíocre. O medíocre, embora quase sempre insatisfeito, na realidade se contenta com muito pouco. O medíocre pensa que o próprio todo é um pedaço, porque ele mesmo já está em pedaços. Esfarrapado, pequeno, minúsculo — resto de si mesmo. Acontece que o medíocre não se coloca esse tipo de questão. O medíocre não se coloca nenhum tipo de questão. O medíocre nem sequer percebe seus conflitos, o coitado não percebe o mundo, não se questiona, não pensa, não filosofa, não sente, não enxerga. Não sabe ler os sinais. Não conta. Ao medíocre basta ser medíocre — e ele já estará realizado.


SE MINHA ALMA NÃO FOSSE PURA NÃO TERIA O DIREITO DE TOCAR TEU CORPO.


Embora seja insuportável para quem já perdeu a lucidez, a Loucura é a salvação. Por isso recomendo aos "normais ainda saudáveis" que procurem o caminho poético da Loucura. Claro que não me refiro à loucura inconsciente, transtorno bipolar, psicose, depressão, esquizofrenia, nem algo semelhante. Eu me refiro à loucura criativa de Osho, de Dali, de Paritosh. Eu me refiro à loucura brilhante de Nietzsche, de Jesus e de Artaud; à loucura sagrada de Van Gogh, Henry Miller e Picasso. Eu me refiro à loucura que está ali — aqui — a quase 360 graus da sanidade. Eu me refiro à fuga da escuridão chamada Norma. À quebra radical das correntes opressoras. Ao abandono puro e simples do rebanho. Eu me refiro à loucura luminosa dos criadores de mundos. À loucura dos amantes da liberdade absoluta. Esta, a loucura que (me) (te) (nos) encanta...


NO FIM DO MEU ARCO-ÍRIS NÃO TEM UM POTE DE OURO. TEM UM VASO DE FLORES.


Acho que minha rebeldia anda meio fora de forma. Tem dias em que coloco panos quentes no meu freezer. Contemporizo. Viro mediador da realidade. Até penso em acertar e arrumar algumas coisas, embora sabendo que melhor seria desarrumar todas elas de uma vez. Na verdade, eu devia mesmo realçar essa anarquia que me abraça, buscar mais harmonia no desarranjo puro, na inconsequência sã, no abismo absoluto. Desestabilizar esse caos que já está ficando íntimo. Pôr um pouco mais de equívocos poéticos nas certezas cotidianas. Mais loucuras e doçuras, mais sol, deslumbramentos. E tornar-me desnecessário para todos, para tudo — e para sempre.


EU SEMPRE VOLTO À TONA. É ONDE ENXUGO AS MINHAS ASAS PARA VOAR, DE NOVO, AO PICO.


Toda paixão amorosa é belíssima. Apaixonar-se é sempre fascinante. Não fosse assim, pouca gente se apaixonaria. Mas precisamos acabar com esse mito horroroso, insustentável, de que a paixão dói... Paixões nunca são dolorosas. O que pode doer, e eventualmente até machucar de verdade, é a não satisfação das expectativas (ingênuas, excessivas ou maldosas) que se montam, indevidamente, em cima das paixões. Eu só entendo uma paixão como algo de mão única, sem cláusulas condicionantes. Apaixonar-se esperando retorno vira apenas um negócio. Como outro qualquer. Só que um pouquinho mais sórdido.


MEU CORAÇÃO SEMPRE ME SEDUZ


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A VIDA É UM JOGO


A Vida é um jogo, belíssimo, onde só se pode ganhar aquilo que se arrisca.
Mas você parece que não anda perdendo muito, nem ganhando muito.
Nenhuma derrota acachapante, nenhuma vitória inesquecivel.
Nenhum ato grandioso, nenhum espetáculo.
Nenhuma desgraça, nenhuma paixão.
Nenhuma queda profunda, nenhum salto mortal.
Nem pra cima, nem pra baixo.
Nada!
Nem escuridão, nem brilho, nem glória, nem tragédia.
Assim — a tua vida.
Segura, pacata, certinha, e normal.
Tudo em ordem, tudo estável e bem comportado.
Tudo em brancas nuvens.
Tudo meio morno, meio tépido, meio frouxo, meio mole.
Meio apagado.
Meio cinzento e meio sem graça.
Assim — a tua morte.


TODO ASSOMBRO TEM QUE SER ADMIRÁVEL. SE NÃO, ESPANTA.


Eu vivo a deliciosa incerteza a cada instante. E exceto a defesa radical da Liberdade absoluta, não tenho convicções inabaláveis. Não tenho caminho certo, não ando por sobre um bloco de cimento frio, não gosto de muros, nem gosto de grades. Eu decido se mudo ou se danço. Mas adoro mudançar... A instabilidade de uma corda bamba de seda à beira do abismo me excita. Eu não quero ordens — eu quero música. Ninguém me prende, ninguém me dirige, ninguém me sufoca, ninguém me segura. Não aceito invasões. Não dobro a espinha, nem ponho meu rabo entre as pernas. Não estou à venda. E jamais darei procuração para que alguém viva minha vida em meu nome. Sou eu que faço as minhas escolhas. Sou livre.


A PRODUÇÃO DE RESULTADOS NÃO DEPENDE DA ESPERANÇA



Nunca chorei tanto ao ver um filme assim. Belíssimo. Quase me afoguei com as lágrimas soltas e livres. Eu sei que ela também vestirá luto quando eu morrer, e, assim como Fanny, vai caminhar pelos campos — desesperada — e recitando meus versos de amor. Eu sei.


METADE DO MEU CÉREBRO É CONTROLADA POR MEU CORAÇÃO. A OUTRA METADE EU NÃO SEI.


Deverei assumir o risco dos projetos fascinantes ou deixar que esmaguem no meu peito a gostosura das paixões enlouquecidas? Devo permitir que as vontades puras que tenho em mim sejam cada vez mais satisfeitas, ou submeter meu coração apaixonado aos controles neuróticos do outro? Devo assumir o compromisso com essa estética erótica que permeia toda minha existência, ou apenas continuar essa volta ao passado, esse renegar amargurado, normalizante, ensandecido, precário, ridículo, esse renegar desajustado e caótico de um futuro brilhante que já trago em mim? Poderei continuar sendo um fogoso corcel em disparada, ou o mundo conseguirá fazer com que morram, por perigosas, essas paixões que me libertam? Saberei eu manter as dúvidas enquanto caminho por essa furiosa tempestade de esperanças?


A REALIDADE É A SOMA DO QUE EXISTE E DO QUE SONHAMOS


No trapézio da Vida este é o salto pra cima proposto por mim. Negros degraus de uma escada amarela dobrada em direção às estrelas, brancos gravetos com que acendo meu fogo. Sei que se falo de Nietzsche te assusto, e se falo de escravos te entorto e brigamos. Então traduzo as palavras que abraço na cruz e desvendo mistérios de Cristo — para corrigi-los de forma profunda e torná-los brilhantes, graciosos e ébrios. Quero, portanto, que tua língua sóbria tropece agora no meu cérebro puro, mas vibre agradável, e sempre tremule feito bandeira. Porque Zaratustra tem pressa e te espera brincando lá fora. Grite, portanto.


TODA FASCINAÇÃO TEM QUE SER CEGA PARA TUDO AQUILO QUE NÃO SEJA A SUA PRÓPRIA CAUSA


Numa corda bamba a gente se testa, de cabeça, a todo momento. Há que ter equilíbrio quase perfeito, medidas iguais, desejos profundos. Ninguém se enforca com corda bamba porque seus fios são trançados como se enredo, e a trama é delícia. Nenhum pardal vai querer tirar um fio da corda bamba para com ele fazer ninho, como fosse navalha. Pardal que se preza tem que ser livre, aventureiro, Vogelfrei. O pardal não tem belas plumagens, caçadores não lhe dão importância, ninguém quer tê-lo em gaiolas. Por isso ele pode dormir até mais tarde e depois cantar sem medo, sem preocupações. Todo pardal é fora da lei: Vogelfrei. E tem duas coisas que pardal não suporta: gravata e nó na garganta. Pardal não tem formalidade, não usa uniforme, não faz mesuras, nem salamaleques ou favores. Só quer saber de cantar, voar e ciscar. Recusa nó na garganta. Porque nó na garganta só atrapalha a melodia, deixando-a triste, sem vida e sem graça. Melhor seria talvez enforcar-se com as próprias cordinhas vocais.

Então — se não podemos falar pra fora, falar pra quê? O canto que não se canta se torna veneno. E o pardal, por ser livre, sabe das coisas. Na verdade, esses pardais que só agora me acordam, o fazem sem querer — e pela segunda vez. A primeira vez que me acordaram foi com seu canto, e a segunda, com sua filosofia. Ou seja: nas duas fui acordado por amor. Não para que me levante: quem é capaz de acordar duas vezes já vive em pé, ao menos por dentro. Mas, nesta manhãzinha que chama Iracy, sol brilhante em céu azul, tomo café como pão comesse, me alimento das lembranças, líquidas, delicadas, fortes, cristalinas. Na fumaça do café sinto-me oráculo, e vejo que a realidade é arbitrária. Tenho vontade de buscar o crânio vivo do meu pai no cemitério, para conversarmos todo dia, aqui, em frente ao mar, tomando sol, tomando vinho e decisões. Por isso escrevo, divago, e digo: os poetas, nunca seremos compreendidos. Porque nós vemos sempre a coisa e seu fundamento, e os outros só vêem a coisa e sua utilidade. Nós vemos o todo poético de um universo dançante, e os outros só vêem a parte seca de um mero processo. Nós, os poetas, brincamos com as palavras. Os brutos fazem delas uma arma. Para nós, as palavras são flores. Para eles — punhal.



A FILOSOFIA É O MELHOR ANTÍDOTO AO TEU VENENOSO SISTEMA DE CRENÇAS



Cobre-se de mim com o frio cobertor de preconceitos que lhe deram, como se meus olhos desvendassem mistérios insondáveis; como se mistérios fossem coisa de se expor assim, à flor da pele. Cobre-se de mim, essa menina, como se de uma terra descoberta já pudesse, um dia só, esconder-se de quem a descobriu. Então, olho para ela, que sorri em minha cama caravela, e lhe digo, mais profundo:

— Sou hoje o Pedro Álvares Cabral do teu orgulho, meu amor. Cheguei sem te avisar, e agora te ocupo docemente. Não como posseiro, mas um condor visitante. Não para sempre, por instantes; não com armas, mas com brilho, luz, compreensão. Te ocupo, mas não te exploro, não devasto, não ofendo, nem machuco. Não pisarei com minhas botas o teu solo: acaricio só com minha língua o teu pudor. Feito Baco, eu te beijo, lúbrico, generoso e louco como um deus aventureiro, e deixo no teu corpo o vermelho dos meus lábios encantados. E memórias de indecências delicadas, gostosuras que o vento da mudança logo logo levará.



MAS O ESSENCIAL É INABANDONÁVEL...



Eu te amo e quero ser feliz. Mas, se houver contradição entre essas duas coisas, nunca deixarei de ser feliz por teu amor.



O CIÚME É UMA PLANTA CARNÍVORA: DILACERA O CORAÇÃO.


Sou um abridor de gaiolas. Mas não quero que me considerem muito original: eu apenas repito o que me pedem os pássaros. Transformo em português, literalmente, os cantos que eles cantam para mim. E repito-os, amorosamente, só para que vocês possam ouvi-los de verdade em nossa língua. Às vezes, quando chove chuva viva e o canto deles vem molhado, limpo um pouco o seu trinado, acrescento algumas notas, pinto-as de azul, e reescrevo a melodia. E transformo o beija-flor em minha estrela. O bem-te-vi em bem-te-vejo. O pardal em perdão, o tiziu em tesão. E abro todas as gaiolas.


APRENDER A CAIR É MAIS IMPORTANTE DO QUE APRENDER A LEVANTAR-SE


Sou um escritor. Aliás, suponho que seja. Escrevo bastante. Tenho alguns livros publicados e edito alguns blogs, onde faço referências aos meus amores, aos meus amigos e aos meus irmãos. De todos eles, tenho muitos. Os amores eu escolho a dedo, os amigos a vida me dá, e os irmãos vieram de minha Mãe. Quando falo dos meus amores, quase tudo é memória, dança e desejo — se não for só a lembrança da festa de ontem. Dos amigos, só lhes conto as visões do mundo e os vinhos que tomamos por aí. Mas quando falo dos meus irmãos, duas coisas ocorrem. Se escrevo que no domingo passado todos viajaram ao Tibet, montados num furioso tigre de bengala, nenhum deles se incomoda: só pode mesmo ser ficção. Mas, quando digo que todos se foderam em seus casamentos, eles acham que é tudo verdade, e se voltam contra mim. Que coisa! Não se pode mais fazer ficção sossegado?


TROQUEI TUDO POR LOUCURA. POR ISSO É QUE TENHO RAZÃO.


Grandes paixões sempre duram pouco. A natureza da paixão é ser fugaz e passageira. Ninguém suportaria viver aventuras diferentes todo dia, e grandiosas, com a mesma pessoa. Seria a banalização da gostosura. Já os casamentos monótonos tendem a durar mais, muito mais. Porque faz parte da própria natureza do casamento tradicional ser monótono, e excluir toda possibilidade de aventura, de risco e de emoções. O casamento foi inventado para encurralar o amor, domesticar os amantes e torná-los pacatos, cinzentos e estáveis. Em outras palavras, para burocratizar o amor. O casamento foi criado para tornar os amantes sem graça. Ou seja: para desgraçá-los. E tem gente que só percebe isso vinte e cinco anos depois...


MAS TER RAZÃO NÃO TEM A MÍNIMA IMPORTÂNCIA...


Quando eu digo que não podemos perder nossas raízes, isso não tem nada a ver com geografia, não tem nada a ver com cidade natal, nem com as pessoas que nos cercaram em nossa infância, nem com família mais próxima. Quando eu digo que não devemos perder as raízes, isso significa que não devemos perder aquilo que de mais íntimo e bom existe dentro de nós mesmos. É aquele sopro de vida, aquele alento — o ânimo, nossa própria alma. Aqui é que residem as nossas raízes. Essas é que deverão ser regadas todos os dias, para que não morram, para que não pereçam, para que não nos sejam esmagadas por ninguém. Essas raízes, não devemos perdê-las nunca.


POR QUE VOCÊ NÃO PROCURA VIVER ENQUANTO AINDA ESTÁ VIVO?


Cruciais e deliciosos, estes momentos que atravesso e que me cobrem de açúcar. A vida hoje encontra-me voando no limite do amor e da coragem. Minha profissão é perigosa: sou amante do Risco e do Instável, do Incerto e da Surpresa. Entre um largo muro de cimento preso ao chão e a corda bamba de seda à beira do abismo — opto por esta, sempre. Sou um trapezista maluco no escandaloso Circo da Emoção. Todos os meus saltos são mortais, alegres e profundos. Eu viro a lona azul do céu que me descobre pelo avesso. Meu coração não tem juízo... Como poeta libertário, seria pouco não fosse assim. Porque não tenho razões para ser de outra forma. Se posso ser tudo, não preciso ser médio nem comedido — e não quero ser nada além de mim. Amo a Liberdade como se não pudesse amar outra coisa. Não consigo mais viver em conta-gotas: eu agora só vivo aos borbotões.


QUANTAS DIMENSÕES SERÁ QUE O TEMPO TEM?


Quem adota a crença, primeiro assume as conclusões, e depois vai atrás dos argumentos. E o que é pior: só aceita os argumentos que não abalem suas conclusões. Por outro lado, quem adota a razão, o método racional, primeiro levanta as hipóteses, e depois sai à cata de conclusões. Caso as conclusões porventura invalidem suas hipóteses, formulam outras, sem que por isso se sintam ofendidos. Coisa que os crentes não suportam, posto que suas teorias sempre são tomadas como dogmas, e não como hipóteses.


ÀS VEZES PERDEMOS A VIDA NO MESMO LUGAR EM QUE A SUPOMOS GANHAR.


Certas pessoas parecem gostar mais de metáforas sólidas. Parábolas de concreto armado. Cimento, cal e areia — em vez de emoções.


NÃO CREIO EM ATALHOS PARA O INFINITO.


Sou fiel primeiro a duas coisas: às minhas origens, e à minha finalidade. Não as troco por nada, nem as traio jamais. Porque — às minhas origens eu devo a minha história, e à minha finalidade, o meu prazer.
Só depois de ser fiel a elas é que posso ser fiel a outras coisas.


O ÚNICO CRIME QUE NÃO TEM PERDÃO É DESPERDIÇAR A VIDA.


Batizado no rio Jordão por um louco chamado João, Jesus, naquele tempo, era um dentre muitos pregadores. Dizia ser impossível servirmos a dois senhores ao mesmo tempo. Olhai as aves do céu: não colhem nem armazenam. Olhai os lírios do campo, que não tecem nem fiam, e o Senhor tudo lhes provê. Eu não vim trazer a paz, eu vim trazer a guerra. Eu vim pra separar o filho de seu pai e a filha de sua mãe. Rico não vai entrar no céu, de jeito nenhum. Deus está lá, onde está teu coração. Ele falava coisas assim, meio malucas. Ele adorava metáforas e parábolas. Expulsou negociantes do templo. Os irmãos detestavam ele. Beijava Madalena na boca. Ouvia vozes. Mais fácil um camelo passar não sei onde. Ficava insultando meio mundo. Um dia o levaram lá no topo de uma montanha e quase o jogaram no precipício... Eu gosto desse cara!


NÃO POSSO TRAIR DE FORMA ALGUMA OS MEUS AMORES SIMULTÂNEOS.


Nada de verdadeiramente genial e grandioso foi criado até hoje na História do Mundo, sem liberdade, criatividade, inteligência, entusiasmo e ousadia.


VIVER É RECOMENDÁVEL.


Aos 22 anos eu montei a minha primeira empresa. O nome era K-misster, e ficava na Avenida Nacionalista, número 100, Itaquera, SP. Aluguei o galpão, comprei as máquinas na rua São Caetano, montei um estoque enorme de tecidos, que comprei na 25 de março, contratei dezessete costureiras e soltei o meu barquinho em alto mar. Eu também desenhava os modelos. Cheguei a vender vários lotes para as Lojas Piter, que ficava ao lado do Teatro Municipal. Mas a fábrica era muito longe, e eu queria curtir a vida. Depois de três meses larguei tudo, dei as máquinas para as costureiras — e vim viver.
Deu certo.


NUNCA SE RECOMEÇA. SEMPRE SE CONTINUA.


Uma borboleta voa e você levanta a cabeça para segui-la. Tenta acompanhá-la com olhares, não somente pela graça do seu voo, mas por seu significado físico e poético. A borboleta é o símbolo mais perfeito do ócio artístico e da liberdade criadora. Fascina porque é bela e livre. As borboletas são independentes. Não existe ciúme entre elas, nenhuma controla o voo da outra, não existe desenho prévio para o tipo de voo que vão voar quando saem a passeio. Não fazem planos para os voos do dia seguinte, não acumulam coisas, não carregam nada nas costas, não se casam nem se prometem coisas absurdas. Por isso as borboletas fascinam. Por isso as pessoas querem seguir as borboletas. Voar como elas. Ser como elas.
Teoria do Acaso - página 13.


NOSSO MEDO É SEMPRE MAIOR QUE OS ARCABUZES DO INIMIGO


Tem gente que diz que me ama, e promete-me o céu em troca da minha liberdade. Mas, quando vê que eu não aceito fechar o negócio, sai dizendo que sou só um caroço seco de uva verde...
Prefiro assim.


QUE TIPO DE ALEGRIA VOCÊ HOJE QUER SE DAR?


Minha vida é uma festa. Cada um traz o que tem. Quando vem uma doutora formada na Sorbonne, conversamos normalmente, jantamos e dançamos, e eu não exijo que ela seja uma gostosa: eu não falo com seu sexo. Quando vem uma gostosa, transamos normalmente, e não é preciso que ela tenha um diploma na Sorbonne: eu não transo com seu cérebro. E assim caminha a Humanidade. Minha vida é uma festa. Cada um traz o que é.

Afinal, nem eu tenho diploma na Sorbonne...


A REALIDADE SEMPRE CAI DE CABEÇA NAQUILO QUE EU SONHO.


Como já disse, todos os meus textos são parabólicos. Até mesmo a minha própria língua portuguesa é metafórica, quando dança alegremente no céu da minha boca, sintática e semântica. Talvez seja influência daquele outro cara que fazia a mesma coisa — antes que o pendurassem, coberto de óleo de amêndoas, numa cruz de ébano e aço.


MAIS VALE UM SAPO CRIATIVO DO QUE UM PRÍNCIPE BABACA.


Porém, antes que o meu barco singre os mares revoltos desta vida, encho-o de coragem e de remos, iço as velas, desfaço todos os meus planos, jogo longe a bússola da normalidade, rasgo todos esses mapas que me deram — e me afundo no desejo de amar. Vou agora criar uma deliciosa tempestade no teu coração!


SENTIR-SE PRESO É O PRIMEIRO PASSO PARA SE VER LIVRE.


O espírito agitado dessa consciência louca que me faz subversivo, age em mim a todo instante. Para que não se detenha minha coragem, nem frente ao juízo em contrário que as paixões às vezes causam. Minha alegria não requer mais recompensa — ela mesma já se basta porque existe simplesmente. Ninguém consegue desfazer impunemente o que foi feito, se foi feito com Amor e entusiasmo.




Joyce ontem fez-me um amoroso discurso. Falou coisas belíssimas sobre a vida que levamos e os caminhos todos que nela existem. Impressionou-me pela sensatez e profundidade das palavras. Acabou me dizendo que sou agora um lutador quase sem armas, porque uso apenas as mãos e o cérebro. “Preciso de mais?” — perguntei-lhe. E ela respondeu: “Sim, porque tem horas que um fuzil te pouparia tempo e energia!”
E eu, que sempre supus me bastassem o karatê e a filosofia...
Errei.
Obrigado, Joyce Ann.



TEM GENTE QUE PRIMEIRO CRIA UM DILÚVIO, E SÓ DEPOIS VAI CONSTRUIR A ARCA.


A exclusividade não é natural. Não é inerente ao ser humano, não vem gravada no DNA. Se alguém diz que me ama, mas quer me controlar, em verdade não ama. Melhor comprar um bichinho de pelúcia, para dizer que é seu. Se alguém tiver encanto que me pareça suficiente, nem precisa querer me controlar, pois eu lhe ficarei eternamente aos seus pés — ou pelo menos enquanto durar o encanto.

Entretanto, se saio para alguns vôos livres em vez de ficar no ninho, é sinal que esses vôos me são mais engraçados, mais bonitos, mais necessários, ou mais interessantes do que a permanência no ninho. Então, como pode alguém culpar-me por ter asas? Desde quando é proibido gostar de voos livres?


EIS UMA VERDADE INCONTESTÁVEL: SÓ OS CIUMENTOS É QUE SOFREM POR AMOR.


— O que significa viver? — perguntava eu a Nietzsche, nesta madrugada brilhante, ao lado de dois copos de vinho vermelho. Então, sorrindo, ele me abraçou e respondeu:
— Viver, Edson, viver é afastar de si, radicalmente, tudo aquilo que quer morrer. Viver é ser implacável com tudo aquilo que em nós — e não apenas em nós — se torna fraco e insignificante.
Jamais me esquecerei.


UM MILHÃO DE VEZES!


Quando estou perante Maria, e digo "Eu te amo, meu Amor" — estou me referindo, antes, ao Meu Amor, não necessariamente a Maria. E se Maria entende que é a ela que me refiro, esse é o seu entendimento — e eu o respeito. Afinal, quem sou eu para determinar o que Maria pode ou não concluir? Mas não será por isso que mudarei a minha referência: continuo dirigindo-me ao meu Amor, esse grande amor que tenho no peito, e que transborda o meu corpo e me circunda. Inquestionável. Inteiro. Indespedaçável. E que por ser enorme, infinito e eterno, pode até envolver Maria, é claro. Por uns tempos...


COMO POETA, EU CREIO EM TODOS OS DEUSES. COMO FILÓSOFO — NÃO POSSO CRER EM NENHUM.


Você pensa que gêneros de primeira necessidade são arroz, feijão, farinha e óleo de soja? Nada disso. Gêneros de primeira necessidade são poesia, alegria, liberdade, tesão e gostosura.


HOJE EU QUERO IR ATÉ ONDE A MINHA IMAGINAÇÃO NEM CHEGA.


Ainda que a Inquisição tivesse queimado vivo Galileu Galilei, isso não faria com que o sol "continuasse" girando em torno da Terra. Os conservadores não entendem nada, mesmo. Nem de Ciência, nem de Luz ou Liberdade. Os estúpidos defendem aquilo que já morreu faz tempo — ou que morrerá em breve. Os conservadores, por isso mesmo, precisam ser autoritários. As ideias deles só se sustentam à força...


VIVA A REVOLUÇÃO DA GOSTOSURA!


Quando caio em mim, tenho que me cair todo, para cima. E assim que me acordo, me acordo outra vez, pela segunda — de novo. Dançando nas luas acesas das madrugadas brilhantes no meu quarto crescente, me abro, inteiro. Escancaro meus avessos para todos os lados, mas principalmente para dentro de mim mesmo.


O AMOR À LIBERDADE É A ÚNICA CONVICÇÃO QUE NÃO POSSO ABANDONAR.


Quem acredita em destino não pode crer em livre arbítrio, ao mesmo tempo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Quem é você para mexer no texto de Deus? Se já está escrito que um vaso de flores te cairá na cabeça na esquina da Avenida Liberdade com a Rua Independência, na quarta-feira da semana que vem, às três da tarde — ninguém, nem Deus, pode mudar esse fato. Isso é o destino, segundo aqueles que nele creem. Portanto, na quarta-feira, ali pelas 14h45, "alguma coisa" vai te levar àquela esquina. Mas, se você não for, é que "o teu destino era não ir". Ou seja, a explicação absurda se vai dando pelos efeitos, e não pelas causas. Convenhamos: para quem raciocina um pouco, fica muito difícil defender essa prevalência do Destino sobre a Vida e a Liberdade. E é exatamente isso que eu discuto no meu livro Teoria do Acaso.


A LIBERDADE É QUE NEM DEUS: TEMOS QUE SENTI-LA TODO DIA.



Eu sempre me afasto dos nervosos. Procuro ter a delicadeza de nunca ligar-me a pessoas grosseiras, falsas, insensíveis. Fujo dos enfurecidos. Desvio-me de ciumentos radicais. Detesto autoritários. Quero distância absoluta de estressados e neuróticos. Não concedo aos ditadores sequer minha presença temporária, nem permito aos brutos que suponham ser possível invadir os meus momentos de amor — que são todos.





JAMAIS CONSIDERO DESAFORO AQUILO QUE DIZ UM IDIOTA A MEU RESPEITO.



Não devemos ficar muito impressionados com uma hipótese, só porque ela é nossa. Toda hipótese não passa de um pequeno passo no caminho do verdadeiro conhecimento. Temos que questionar, sempre, por que uma determinada ideia nos agrada tanto... Temos obrigação intelectual de compará-la, imparcialmente, com as alternativas. É fundamental verificarmos se é possível encontrar boas razões que a invalidem. Se não fizermos isso, outros o farão — e nós seremos ultrapassados, vergonhosamente. O que nos deve interessar, antes de tudo, é a verdade, e não o nosso apego a certas conclusões que adoramos.





SÓ O QUE ESTÁ MORTO NÃO SOME...



Não me queira tanto, assim, meu amor. Não imagine que eu vou durar para sempre. Sou só um passageiro do teu peito. Filho do relâmpago, brilho muito e sumo logo. Só o que está morto não some.





O MELHOR AFRODISÍACO É A TESÃO.



Eu procuro manter apenas três tipos de relacionamentos:
1. Os que dão prazer;
2. Os que são realmente necessários à sobrevivência; e
3. Aqueles que de alguma forma trazem sabedoria ou estimulam a criatividade.
Os demais, todos os demais, são extremamente dispensáveis.





MUITOS FALAM DE AMOR. POUCOS O VIVEM.



Se você estiver doente, carente, ou à beira da morte, nem venha me ver. Nesta casa não tenho remédios. Aqui se troca entusiasmo por alegria, ou vice-versa. Não tenho aspirina, novalgina, dipirona ou anadores. Aqui só tenho abraços, música e flores, estrelas, vinho e amores!




Mas se eu não me cuidasse todo dia muito bem, já não saberia mais o que de mim é meu, nem o que em mim sou eu. Alguém, com boas intenções e um sopro cansado, já teria apagado essa chama que sou. E eu seria uma triste coivara num monte de cinzas, uma flor ressequida em jardim pisoteado. Se eu não me cuidasse, seria só um burro carregado de certezas e de angústia. Estaria cheio de juízo, de filhos e dores. Já teria perdido a loucura, o jogo e a dança. Teria perdido a liberdade, o amor e o rumo. Se eu não me cuidasse muito bem, já estaria morto, enterrado e fodido.




FUJA DAS PESSOAS PERIGOSAMENTE NORMAIS



Nesta sociedade em que vivemos, são cinco as instâncias principais que nos oprimem. Algumas, por ignorância ou tradição; outras, por sadismo ou interesse; e outras nos oprimem simplesmente por "amor" — ou por um absurdo desejo de nos salvar à força. Mas todas, no fundo, só querem mesmo é conservar o mundo do jeito que está. Porque padecem de normalidade, e pretendem matar os belos sonhos de liberdade que trazemos no peito. Só querem manter-nos a ferros e veludos — e com as devidas coleiras e algemas. Em português, essas "coisas" começam com a letra P: os pais, o pastor, os professores, a polícia e o patrão. Se você não se livrar logo de todos esses pês, e de sua influência perniciosa e opressora, vai provavelmente segui-los de cabeça baixa pelo resto da vida — e ficar igualzinho a eles.





MANTER UMA INFIDELIDADE EM SEGREDO É MAIS VERGONHOSO DO QUE TORNÁ-LA PÚBLICA



211. Aceitar o inevitável é uma sábia decisão.
212. O auge de uma paixão está sempre no começo dela.
213. Não espere a graça do cisne no pescoço de um pato.
214. Em vez de salvar a relação, eu prefiro salvar o meu amor.
215. Só tem uma coisa pior do que morrer: é viver pouco.
216. Sempre danço conforme a música. Mas, antes, escrevo a partitura.
217. Não tenho culpa se além de loucura Deus me deu razão.
218. Quem jura amor eterno deveria ser processado por estelionato emocional.
219. Toda musa já traz uma víbora dentro de si. É só uma questão de tempo.
220. Dispenso a compreensão daqueles que não conseguem me compreender.
221. Se, numa relação de amor, a verdade entristece — minta com alegria.
222. Prazer não sentido é prazer perdido. Irrecuperavelmente perdido.
223. Se o amor não pode ser livre, não deve ser nada.
224. Ceder uma vez só é muito mais difícil do que ceder nunca.
225. É um desperdício imperdoável ter um grande coração, e deixar nele um único amor.
226. A fé move montanhas. A paixão, cordilheiras.
227. Eu não nasci para satisfazer as expectativas de ninguém — nem mesmo as minhas.
228. O sábio, quando se apaixona, se ilumina. O idiota, fica bobo.
229. Deus é justo: quando faz o insensato, tira-lhe a razão.
230. As rédeas da tua vida estão nas mãos de quem.

Do livro 800 Frases de Edson Marques





NÃO SE CASE POR AMOR. QUEM SE CASE POR AMOR SE FODE COMPLETAMENTE



Se uma pessoa ama realmente a liberdade, e além disso tem charme e gostosura, ela não precisa de mais nada para manter-me preso, espontaneamente preso aos seus pés. Não preciso de alianças no dedo anular nem de cordinhas no pescoço. Não preciso de promessas nem de garantias em papel. Nas questões do amor, eu sou um verdadeiro vira-lata zen: vivo abanando o rabo pra todo mundo que me excita. Mas quem não preenche delicadamente essas três condições fundamentais — charme, gostosura e liberdade — nem adianta mostrar-me um osso: quero distância!
Nunca terei dono.





A COISA MAIS PROFUNDA QUE HÁ NO CORPO HUMANO É TESÃO À FLOR DA PELE



Amar é permitir sempre. Amar é deixar que o outro vá — ou que fique, se assim o desejar. Amar é ter um respeito absoluto pela própria liberdade, e pela liberdade do outro. Amar é compreender sempre. E isso não significa apenas entendimento racional, vai além, muito além: Amar é reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas. Mesmo que essas escolhas eventualmente me excluam.

Essa definição de amor foi originalmente publicada no meu livro Manual da Separação (1998, página 14). É muito citada na internet, o que me deixa contente. Entretanto, apesar de considerá-la perfeita — no sentido de irretocável — já lhe escrevi alguns complementos críticos que podem ser lidos em seguida.

Se amar significa "reconhecer afetuosamente o direito que o outro tem de fazer suas escolhas" — como eu disse acima — será que nessa colocação pode estar implícito que devo aceitar as idéias do outro, todas, mesmo as absurdas ou cerceadoras da liberdade, e incorporá-las como se minhas, se o outro assim desejar? Claro que não. Isto seria uma violência. Cada um de nós tem um sistema de valores. Mesmo que seja em nome do amor, a submissão é um horror.

Portanto, amar não significa aceitar todas as escolhas que o outro fizer, mas sim apenas aquelas que não impliquem uma supressão da nossa liberdade pessoal. Porque falta de liberdade causa uma dor imensa. E se causa dor, não é amor. Portanto, se uma determinada escolha feita pelo outro, que diz me amar, contraditoriamente cerceia minha liberdade, ou violenta minha dignidade, me sufoca ou atormenta — então essa escolha me faz mal, e deve ser rechaçada imediatamente, com determinação. Jamais devemos compactuar com quem nos fere ou nos amputa. Sem essa de beijar o carrasco em nome do amor...

Sem liberdade a vida morre.

Amar de verdade é jamais ter ciúmes, nem medo de perder. Amar é não forçar nada, sequer um abraço. Amar é não fazer perguntas desnecessárias ou indiscretas — muito menos na hora imprópria. Amar é não mendicar companhia. Amar é deixar fluir a relação em todos os sentidos. É incentivar o vôo livre que o outro possa estar querendo, e às vezes até mesmo empurrá-lo com ternura para o abismo gostoso do desconhecido profundo. Amar é respeitar com devoção e aplaudir com entusiasmo esse desejo louco de saltar que o outro às vezes tem. (...)

Eu defendo a tese, ousadíssima da perspectiva conservadora, de que o Amor tem que ser livre. E, se não for livre, que seja chamado de qualquer outro nome — menos de amor. Aliás, é bom provocar: se o amor não for livre, como será ele, então? Amor preso? Encarcerado? Acorrentado? Será que alguém, com um mínimo de respeito à vida, pode ser contra o amor livre? Sei que esse é um tema complexo, impossível de ser debatido em meia página de um livro, pois cada um de nós pensa de forma diferente, e tem uma carga enorme de preconceitos específicos e de falsas impressões. Mas, resumindo, eu gosto de supor que sinto-me amado, realmente, quando a pessoa que diz me amar pode olhar-me nos olhos e também dizer, do fundo do coração, verdadeiramente:

Eu te amo quando não preciso mais dizer te amo.
Eu te amo quando reconheço teu Direito de Fazer Escolhas.
Eu te amo quando respeito tua própria liberdade tanto quanto a minha.
Eu te amo quando compreendo tua vontade de às vezes ficar só.
Eu te amo quando não te sufoco com chiliques ou pressões.
Eu te amo quando ponho afeto entre as nossas distâncias.
Eu te amo quando aplaudo os teus desejos de voar.
Eu te amo quando me convenço de que o ciúme é o câncer do amor.
Eu te amo quando te ajudo a ser mais livre do que eras quando eu te conheci.
Eu te amo quando a recíproca a tudo isso também é verdadeira.


Um relacionamento amoroso só dá certo — e duuuuuura bastante — quando os dois amantes amam também a liberdade. Ou quando ambos a sacrificam, simultaneamente. Tem que haver um pacto. Pois, se apenas um deles amar realmente a liberdade, a coisa desanda — e a separação é fatal.


Jurar amor eterno logo no início de uma relação pode ser considerado crime de falsidade ideológica, e deveria ser punido com pena de prisão.
Geralmente é.

Tem gente que diz que o verdadeiro amor é aquele que dura para sempre. Ora, sendo assim, nunca saberemos se um determinado amor é verdadeiro, posto que o período de tempo chamado Sempre ainda não chegou – e jamais chegará. Do ponto de vista da Lógica, esta é uma afirmação inverificável. Logo, tal frase, repetida ingenuamente por papagaios aprendizes, é um absurdo.





ÀS VEZES UM TIRO NA TESTA É MAIS EFICIENTE DO QUE UM DIÁLOGO DE PLATÃO


Platão, no Banquete, faz Sócrates apresentar uma interessante definição de amor. Vale a pena ler. Em certa passagem, o amor é definido como um desejo do ser amado — o amor é o desejo da posse do objeto, da pessoa, ou da ideia que se ama. Se o amor é o desejo da posse, então o amor é a falta daquilo que se ama, pois, quando se possui a coisa, não mais se a deseja. Então, segundo Platão nesse citado livro, o Amor é o sentimento de vazio causado pela ausência, pela falta da coisa amada. Devo dizer que não concordo com tal visão platônica do Amor. Para mais detalhes acesse o link Filosofia no cabeçalho deste site.

22.10.11

Hoje eu assisti ao nascer do Sol. Fui lá fora e sentei-me na primeira fila. Contei quarenta e cinco coqueiros à beira do mar e ouvi dois bem-te-vis e uma sabiá, cantando como se fossem os autores da trilha sonora de um espetáculo divino que nunca mais verei de novo. Amanhã verei um outro — diferente, certamente... As ondas do mar onde esta manhã molhei meus pés nunca mais serão as mesmas. Aurora nunca se repete.


Hoje é terça-feira. Hoje eu não quero muita coisa. Por isso vou ficar ali na praia, conversando com Netuno, tomando água de coco, olhando sereias, catando conchinhas e sentindo os lábios de Afrodite lamberem-me os pés... Hoje eu não quero muita coisa. Hoje é terça-feira. Hoje eu só quero abraçar a metade do infinito...

A metade mais gostosa do Infinito.


QUALQUER ALTERNATIVA A SER FELIZ É UMA BOBAGEM


Eu amo o Amor e a Liberdade do próprio Amor. Não encarcero meu Amor no coração. Ao contrário de Vinícius, não enclausuro meus amores no meu peito. Há muito tempo que abri meu coração inteiramente, para que entrem nele os meus amores de repente. Entrem e saiam quando queiram, diferentes. Eu só amo amores livres — indescentes.


SÓ QUEM ACORDA PERCEBE QUE TUDO NÃO PASSA DE UM SONHO

São duas as moedas que compram a Liberdade: chamam-se Desapego e Coragem. E não dá para se ter uma sem a outra. Acontece que o verdadeiro desapego vai além das coisas materiais. Só ficamos realmente livres quando nos desapegamos até das coisas espirituais. Principalmente das coisas espirituais! Não basta desapegar-se do vinho e do Camaro vermelho: é preciso desapegar-se de Zeus. De Zeus, de Apolo, e de Vênus. É preciso desapegar-se do pão e das flores. Das estrelas — e também dos amores...

Sem desapego, impossível ser livre. E sem liberdade, impossível ser feliz.

A felicidade é uma flor delicada que a gente pendura nos galhos do Agora. Desde que bem pendurada, jamais cairá. Vai durar para sempre. Nunca secará. A felicidade é um estado de espírito — e é um estado tão profundo, que, uma vez atingido, viverá conosco para sempre. A felicidade, depois que a conhecemos de verdade, nunca mais a perdemos. É como uma iluminação budista ou zen. Talvez sejam até a mesma coisa.

Mas não imaginem que eu esteja negando a gostosura que é ter um Camaro vermelho ou um cavalo negro com sela de prata. A gostosura que é comer um pão sovado ou ganhar um buquê de rosas champagne. A gostosura que é ter orgasmos. Desapego não significa privação nem desprezo. É amor puro pela coisa em si.


Sou cigano, mas quando leio as tuas mãos não te quero ver a sorte: eu te quero ver amor.


O primeiro clitóris que eu toquei foi o da minha mãe quando nasci. Ele brilhava só por mim, como a própria luz da virgindade. Era um farol no alto da montanha, era um sino na catedral de amor por onde entrei neste mundo encantador. Meu primeiro orgasmo já foi cósmico. Eram sete e vinte da manhã e eu vibrei cento e oitenta vezes sem parar. Aquilo não era um parto natural, era uma partitura. Minha mãe não gemia, cantava — e eu não era só um bebê normal que nascia de um corpo humano, mas uma sinfonia em sol maior que floresceu a partir de uma semente divina, colorida, entusiasmada. Era um sábado de alelúias, e eu amei chegar como cheguei. Naquele momento, ao ouvir as mil badaladas, eu já senti que o meu destino era viver. E eu vivo.


NÃO TENHA SEDE. TORNE-SE ÁGUA.


Quando digo que toda viagem tem retorno, parece que não sou bem compreendido. Aliás, nem é mesmo para ser: eu produzo metáforas — e quem produz metáforas não busca compreensão. Aquele outro que viajava com pássaros do céu e cheirava delírios do campo também não era muito bem compreendido... Porque o retorno a que me refiro não é apenas geográfico: é o retorno em termos de investimento, mesmo. É o lucro, o ganho, a vantagem — a experiência que uma viagem nos traz, mesmo que não haja o retorno físico para o lugar de onde se partiu. Até porque, nessa perspectiva, não há retorno efetivo jamais. Somos outros quando voltamos. Uma viagem nos transforma; às vezes para sempre — e de modo irreversível. Quem já fez ou conhece a história do Caminho de Santiago sabe disso. Quem já foi ao Monte das Oliveiras ou ao Pico do Jaraguá sabe disso. Quem já veio à Bahia em busca de aventuras e surpresas, sabe disso. Quem já saltou de pára-quedas ou desceu correnteza ou subiu as cachoeiras de São Francisco, também. Quem corre riscos com certa frequência, quem ama a liberdade absoluta — quem ama a Vida absoluta — sabe do que estou falando. Os destemidos e os loucos inteligentes sabem disso. Até Sêneca dizia que a sorte favorece os destemidos.


TODA VIAGEM TEM RETORNO


Mais de oito da noite, uma cidade hospitaleira, mas num país estranho, e eu não sabia sequer onde dormir. Parecendo Zorba o Grego. Com apenas cinquenta dólares no bolso, um cartão quebrado e falando línguas que aqui não entendem. Essa assombrosa e radical instabilidade é fascinante — acreditem. Às vezes me canso um pouco dela, mas mesmo assim quero continuar com ela, porque sei que é disso que eu preciso para viver com emoção. E se algum dia eu mudar, meus amores, façam-me voltar a esse tipo de vida, façam com que eu me lembre do quanto isso tudo é muito bom. A normalidade é uma doença. Nunca mais serei normal. Tenho é que radicalizar ainda mais, com veemência, nesse caminho de perdição e gostosura. Sou movido a pecado, transgressões e alegria.


QUEM VIAJA SEM DESTINO NUNCA SE PERDE


Quando você puder ajudar uma criança a escolher a futura profissão, diga-lhe que ela poderá, entre outras coisas, ser um arquiteto ou contador. Ajude-a a decidir-se. Diga-lhe que o arquiteto vai criar o Guggenheim Bilbao, a Opera de Sydney, ou um novo Cristo Redentor. Mas o contador não vai além de um balancete.



Mas é preciso que eu hoje faça uma ressalva. Tenho dito que você deveria libertar-se das amarras, saltar profundo e viver a vida. Acontece que isso é uma proposta retórica. Não estou pregando que você deva realmente abandonar tudo e sair correndo agora mesmo. Simplesmente porque não há profundidade suficiente para todos saltarem, ao mesmo tempo. Aliás, se todos saltassem perderíamos as referências. Se todos saltassem — saltar passaria a ser uma coisa banal, comum. Se todos largassem tudo, a vida viraria uma bagunça... Seria o caos. E se tem uma coisa pior do que a ordem absoluta, é a desordem absoluta. Portanto, é preciso que quase todos permaneçam exatamente como estão, atolados nessa desgraçada rotina quotidiana — e cuidando das engrenagens do mundo — para que apenas uns poucos, pouquíssimos, saltem profundos. Saltar profundo não é pra todo mundo.

A VIDA É UMA FLORESTA

Eu abro uma picada na floresta e me dou bem. Eu adoro abrir picadas na floresta. Esta é a minha função preferida. Mas você tem que abrir a sua própria: experiências não se transmitem. Não queira seguir esta que eu abri, nem siga, muito menos, aquela que os normais dizem ser a única. Há milhares — e cada um tem que abrir a sua. Eu posso apenas te emprestar a foice. E te ajudar a afiá-la de vez em quando.
O resto é com você




Sou minha própria liberdade e tudo aquilo que permite. Sou a luz do meu caminho, sou meu passo, meu galope, meu próprio cavalo, meu cansaço, meu repouso, minha luta e minha dança. Meu sono e meu despertar, minha garganta e minha voz. Sou as palavras que profiro e até mesmo as que eu não digo. Sou a paz, harmonia que se reparte, como tudo, sou aquele que fica e o que parte, o que supõe — e o que dispõe. O criador e a criatura. O coração do cisne negro, as asas do pássaro no voo, o vento e a vela.

E o sopro.

E suponho que você daqui saia diferente do que era quando entrou. Eu quero te provocar, intelectualmente. Quero que você suba ao palco da Vida agora mesmo. Por isso é que nas cadeiras poéticas do meu teatro eu coloco um monte de pregos instigantes e palavras que te levam a pensar. Eu te provoco com metáforas de açúcar. Eu te cutuco com verbos e delícias insistentes. Eu te cutuco com flores e estrelas — todo dia — porque quero que você pense de modo diferente. Quero que você mude. Quero que você viva. Quero que você dance no arco-íris de um violino que se chama Liberdade.



É UM DESPERDÍCIO IMPERDOÁVEL TER UM GRANDE CORAÇÃO — E DEIXAR NELE UM ÚNICO AMOR.


Eu me apaixonei pelas duas — ao mesmo tempo. Mas, enquanto Patrícia desejava "o melhor" para mim, Suzana só queria que eu fosse um poeta louco, exagerado. Eu, de minha parte, que nunca tive mesmo a pretensão de ser indispensável, só queria fluir. Fluir e dançar. Fluir e voar, enquanto ainda houvesse algum vento de liberdade soprando em mim. Enquanto ainda tivesse meia dúzia de asas boas. Patrícia, por uns tempos, foi o meu maior amor, em quase todos os sentidos. Suzana, também. Por isso, dediquei a elas tudo o que fiz de melhor naquela fase da minha vida.

Eu as amava, mesmo! Era sincero quando lhes dizia, a cada uma, "eu te amo". E também sincero nos momentos em que só pude amá-las em silêncio profundo porque estava, respeitosamente, com outras. Corria o ano de 1999. O século 20 estava virando de ponta-cabeça. E a Vida, ali — me convidando como fosse Tentação. Como todo mundo que busca crescimento espiritual, eu tenho dois lados: o sério e o gostoso. Patrícia, é claro, queria o primeiro. Suzana — o gostoso. Patrícia queria, primeiro, o eterno, o estável, o mais tarde. E Suzana queria, primeiro, o segundo, o momento — o agora. Patrícia queria o marido. Suzana, o poeta. Patrícia, como já disse, era sensualíssima, mas Suzana tinha a inocência mágica dos 17. Enquanto Patrícia adorava o burguês que morava no meu corpo, e me cobria de roupas, perfumes e presentes, Suzana só me descobria. Adorava o meu lado maluco, segurava minhas mãos como se me pegasse todo, e dizia, olho no olho, sorrindo, encantada: Viva a vida, Edson — nos três sentidos...

Patrícia queria certezas; Suzana me jogava no abismo. Patrícia significava segurança, estabilidade. Mas Suzana quer dizer Aventura. Durou quase dois anos esse nosso delicioso triângulo de vertigens. E foi só quando chegamos ao pico é que tive de optar com veemência. Porque, de Patrícia, eu tinha que me salvar correndo, para enfim poder viver. E de Suzana, eu só queria ter belíssimas lembranças... Além disso, ambas também precisavam salvar-se de mim.

Então, saltei.
De cabeça, no coração da Vida.




Aprendi a voar vários tipos de voos, para toda ocasião. Depois que tomei o verdadeiro gosto pela coisa, ficou muito mais difícil rastejar. Pouso às vezes, é claro — e tenho o poder de pousar onde quero, desde que o lugar, ele mesmo, não se esquive. A hora do pouso e quanto vai durar — sou eu quem decide. Aliás, se fosse diferente, nada mais faria sentido na vida. Nunca perderei a capacidade de levantar voo, na direção que quiser, e pelo tempo que pretender. Sou eu que determino as condições do meu voo. Não abro mão dessa prerrogativa. Meu contrato é com o vento. Informal.



Os saudáveis enlouquecem. Os outros ficam por aí, parecendo normais.


Este eu que ora sou,
hoje,
num enorme,
num desesperado esforço de imaginação,
movido por poéticas circunstâncias,
pode até jurar-te
amor eterno.

Mas,
como esperar
— como exigir —
que o outro eu que amanhã certamente serei
cumpra
eternamente
o que te promete
este eu que agora sou?


O trem da vida ainda vai passar por muitas estações. Não demore muito em nenhuma delas.


Sabe, eu acho que Deus abençoa muito mais o meu amor que a minha fé. Pois continuo transformando água em vinho branco, todo dia. Minha festa não acaba nunca. Sou um cisne que não morre.

Para mim, todo momento é uma oportunidade — de criar, de sonhar, de inventar alguma coisa. De ter uma ideia, de dar um abraço, ou de fazer amor. De tomar um vinho, ou de tomar um sol. Para mim, toda ocasião é uma chance única de viver a vida. Toda ocasião é uma festa. Desperdiçá-la seria um pecado. Aliás, como dizia meu bisavô, o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida.

Mas eu me equilibro nesse ofício de ser muitos, de andar numa corda, saltar numa linha e correr pelos versos de mim. Eu me equilibro nesse instante em que o eterno se desfaz. Nesse inexato momento em que o poeta que sou agora dança. Pois o meu destino é viver na arena, dançando entre os leões famintos. É um perigo, eu sei. Porém, nos intervalos das lutas, sorrindo, tomo sempre vinho rouge no gargalo colorido das garrafas de cristal. Talvez um dia eu acabe até morrendo na arena, quem sabe. Acontece que, antes de "morrer" na arena, eu VIVO na arena — e isso faz toda a diferença. Prefiro ser um gladiador ensangüentado a ser um boi feliz. Meu coração precisa de sangue, não de capim.


PORTANTO, OLHE PARA OS LADOS

Agora mesmo, onde você estiver, olhe para os lados. Observe o ambiente em seus mínimos detalhes. Apure a sensibilidade, ajuste a consciência, abra seu coração, respire fundo, olhe para os lados outra vez, e responda-me, sinceramente: — As pessoas com as quais você hoje convive são amorosas, compreensivas, inteligentes, excitantes, audaciosas, livres, saudáveis, brilhantes, honestas, sensíveis, delicadas, independentes, e cheias de entusiasmo pela vida?
— São?!
Porque, se assim não forem, responda-me: O que é que você continua fazendo aí?



MUDE, MAS COMECE DEVAGAR, PORQUE A DIREÇÃO É MAIS IMPORTANTE QUE A VELOCIDADE.


Tem gente que pensa que essa minha frase é de Clarice Lispector. Chegam a pintá-la em paredes. De minha parte, tudo bem. Fico até lisonjeado em escrever um poema de relativo sucesso que pode ser atribuído à maior escritora do Brasil. Aliás, cada um a seu modo, somos existencialistas, eu e Clarice. Falamos do Nada que contém tudo, e do vazio que nos preenche. Só não compreendo como é que seu filho, Paulo Gurgel Valente, teve a coragem de vender o MEU poema para a Fiat fazer o comercial de TV. E esse Sr. ainda se recusa a tocar publicamente no assunto. Terei de levá-lo, de novo, à barra dos Tribunais. /// Click na foto à esquerda e veja detalhes do crime.


TODA MINHA LUTA É UMA DANÇA EM DEFESA DA VIDA

Quando a questão é a defesa da vida, eu sou radical: Não abro mão daquilo que me é fundamental: o corpo, a alma, a liberdade, o amor. Por isso, eliminei da minha vida, radicalmente, tudo que maltrata, tudo que amedronta, censura, inibe, separa, impede, cerceia, corta, machuca, sufoca. Eliminei da minha vida tudo que é ciumento, possessivo, autoritário, mesquinho, rasteiro. Exatamente por isso é que minha Vida flui — deliciosa.

A propósito, eu acho interessante que você faça uma faxina nas tuas relações.



Eu defendo a liberdade absoluta — mas também a relativa. Prefiro a liberdade inteira e toda, mas se vier em pedacinhos, também os amo, abraço, beijo, como, acaricio. Não desperdiço nem um tiquinho...




PONTOS DE VISTA

Quero antes te fazer umas três ou quatro perguntas, cujas respostas podem me dizer quem você é: Especialmente em questões subjetivas — tais como amor e religião — quando você não concorda com determinadas concepções, também considera que a razão pode estar do outro lado? Em certas discussões você tem abertura intelectual suficiente para eventualmente considerar que o ponto de vista contrário ao teu pode estar até mais próximo da verdade? Você já não defendeu valores, ideias e proposições que depois envelheceram, desesperadamente? Você já não teve tantas certezas absolutas que mais tarde foram fulminadas pelo tempo, pela experiência e pelo estudo? Sobre certos assuntos, você já não mudou de ideia muitas e muitas vezes? Será que agora nunca mais vai mudar? Será que você já chegou a todas as conclusões possíveis?

É. Quando você me conhecer um pouco mais verá que sou mesmo um fazedor de perguntas... Eu gosto de questionar, principalmente as verdades estabelecidas.



Delírios, sonhos, utopias... Quem ama a Liberdade tem direito a tudo isso!


Eu devo a minha vida à Ciência e não à Fé. Se algum dia eu ficar doente, procurarei um médico, não um curandeiro. Daqui a pouco eu volto aqui para continuar este assunto.


SEM FILOSOFIA NÃO SE FAZ CIÊNCIA

Tudo que existe — existe duas vezes: primeiro, na cabeça do criador. Toda mudança tem que antes ser sonhada. A realidade só se transforma de verdade, na prática, depois que transformou-se em teoria. Primeiro no cérebro — depois, no mundo. Sem sonho, sem loucura inteligente, nada se produz. Nada de concreto se produz. Nem sorvete, nem avião, computador, arranha-céu. Os inventores são todos visionários. Einstein, Jesus Cristo, Picasso, Galileu e Niemeyer: um bando de malucos. Se dependesse dos normais, ainda andaríamos de carroça. Talvez nem de carroça, pois a roda foi criada por um louco. Sem fantasia e liberdade não se encanta o cotidiano. A imaginação descontrolada é que dá cor e vida ao mundo. Por isso é que a Loucura é necessária, desejada — e tão temida.


SEM FILOSOFIA NÃO SE FAZ AMOR

20.10.11

Viver é uma delícia. Experimente.



Sou que nem Henry Miller: tudo que eu quero da vida é um punhado de sonhos, um punhado de livros e um punhado de amores. E um copo de vinho transbordante...



Estou revisando os dois últimos capítulos do meu livro Teoria do Acaso e me deparo com certos fatos ali narrados que ainda me emocionam demais. Nesse livro eu conto os detalhes de como conheci alguns dos meus amores, como foi que as circunstâncias me abraçaram, e como também por mim foram elas abraçadas. Como foi que meu pai se apaixonou por minha mãe. Como foi que Nietzsche conheceu Lou Salomé, como Dali se apaixonou por Gala, como foi que Sócrates encontrou Xantipa. Minha tese é que o acaso determina cada uma dessas coisas. Tudo que acontece na vida da gente é obra do acaso. Se Cristóvão Colombo fosse apenas um contador, não estaríamos aqui, agora, conversando. Cristóvão teve que ser louco para empreender aquela viagem. Eu fico elocubrando, divagando, escrevendo, dançando nas teorias e nos amores. Mas, ao escrever sobre a doce Suzana, acabo me lembrando da década de 1990, quando eu morava na Alameda Barros, em SP, e às vezes chegava em casa à noite e encontrava uma festa. Alguém me abria a porta e até me perguntava quem eu era... rs! Eu costumava deixar uma chave do apartamento na portaria, e autorização para que toda mulher — consideradas algumas premissas, mesmo que os porteiros nem a conhecessem — pudesse pegar a chave e subir. Quantas mulheres fossem. E que se sentissem elas totalmente à vontade. Que bebessem do meu vinho e comessem do meu pão. Algumas eram amigas, e outras, totalmente desconhecidas. As surpresas que eu tinha por causa disso sempre foram maravilhosas. Conto algumas dessas surpresas, dezenas, nesse livro acima citado. Era assim a minha vida. E nesses quase quinze anos que se passaram não mudou quase nada — exceto duas ou três relações meio fechadas que me levaram a diminuir muito a freqüência das festas. Mas voltarei logo mais a deixar minha chave na portaria de novo — com as mesmas recomendações. Para que tudo se repita outra vez, de modo ampliado, mais intenso, e mais gostoso.

Naquele mundo maravilhoso, quase mitológico, o "centro de gravidade" era Eu — e Eu saltava dentro de mim mesmo, para um outro Eu ainda mais profundo e mais central. Eu era um sol iluminando estrelas cadentes. Eu lhes dava luz e amor, em troca de mais luz e mais amor. Eu me tornava cada vez mais absoluto, e elas viravam estrelas ascendentes, bailarinas, quase sempre. Felizes aquelas que gravitavam em meu redor, diziam elas. Em verdade, aos pares nos tornávamos estrelas binárias — ainda que por vezes santíssimas trindades ocorressem. Tudo era fora do normal. À época, eu pensava que certas coisas que vivíamos eu só as contaria vinte anos depois da minha morte. Hoje eu já considero a possibilidade de contá-las vinte anos antes. Daqui uns quarenta, portanto.


NÃO VENHO TE PROPOR SOSSEGO


Eu tenho coisas pra te contar. Descobertas que já fiz. Segredos que revelei — e outros que escondi. É por isso que eu insisto em semear um pouco de Sócrates a granel nas areias do teu cotidiano. Semear alguma coisa nova na clausura emocional que te protege. Quebrar as prateleiras corroídas dos teus paradigmas mais sólidos, e espicaçar o miolo seco dos teus queridos padrões inconsequentes.

Não é fácil.

Mas não se preocupe demais comigo, porque não trago nenhuma resposta pronta que se imponha de repente ao teu sossego inexplicável. Só te faço perguntas. Indiscretas, às vezes, mas sempre originais, malucas, ins-pirantes. O que eu quero mesmo é mexer na tua cabeça, por fora e por dentro. Quero te mostrar a importância do agora. Eu quero, respeitosamente, desrespeitar esses teus medos insensatos. Enfrentar teus mais amados preconceitos. Quero fazer um cafuné delicioso nos teus neurônios enrolados. E depois de tudo isso passar um pente fino nos caracóis da coisa pronta.

Ainda quero te ver livre, meu Amor.



Mas eu não nasci para satisfazer as expectativas de ninguém — nem mesmo as minhas, que aliás nem tenho. No fundo, eu só quero mesmo é provocar intelectualmente as pessoas criativas, como suponho você seja. Eu quero questionar tudo. Quero questionar os teus padrões, tuas verdades e medidas, teus olhares e desejos, teus anseios, despedidas. Esmagar tuas convicções, assim como esmago as próprias minhas. Mas não pense que eu quero muita coisa, não: eu só quero é fazer o sol nascer brilhante no meu peito todo dia, e abraçar a metade do infinito quando me deito na praia em noites de luar escandaloso. Quero escrever poesias, falar de amor e liberdade, saltar profundo — e gozar a vida. Quero balançar a cabeça de quem me lê, delicadamente, de dentro para fora. Esparramar minhas loucuras no coração dos meus amigos e dos meus amores. Repartir com todos a poesia do meu entusiasmo e dos meus delírios. Só isso.



Meu trabalho é escrever apenas, e contar histórias para mudar o mundo. Arriscar a Vida em teu nome e fazer loucuras por mim também. Dançar profundo à beira do abismo, e tecer a sorte como se aranha. Porque, felizmente, há dois amantes loucos morando em mim: um é poeta, e o outro, filósofo. O filósofo compreende tudo porque reflete muito por sobre o pouco que o outro pensa. E acaba vendo mais longe no espelho das coisas porque sobe numa escada chamada Razão. E isso é bom. Mas o poeta, esse não compreende nada — porque não precisa de coisa alguma. Nem pensa em pensar profundo: só dança com seus amores. Não vê mais longe, nem vê mais nada. Mas sua escada se chama Poesia. E isso é belo.



Eu respeito sempre os meus amores. Assim mesmo: no plural. Tenho muitos. Sempre os tive. Mas, quando eu digo "respeitar os meus amores", às vezes refiro-me às pessoas que eu amo, outras vezes às coisas que eu sinto. Portanto, respeitar os amores tanto pode significar respeitar as vontades (desejos, critérios, preconceitos) de pessoas que eu amo (e que suponho me amem), quanto seguir livremente as paixões (desejos, critérios, loucuras) que eu trago no meu próprio peito. Dito de outra forma, e preferencialmente: respeitar os meus amores é seguir meu coração.




SAGRADA MALÍCIA
Sou tão bonzinho, que às vezes chego a mentir que não sou tanto, apenas para não sufocar o outro com excesso de bondade. Tão alegre, tão feliz, que às vezes dissimulo, para que o outro não suponha que sou privilegiado. Para que ele nem perceba que toda a felicidade do mundo pousou em mim, e habita meu coração como uma deusa deslumbrada. Tão puro, que sou obrigado a comprar todo dia no mercado secundário dos amores menores uns dois pacotinhos de malícia profana, só para ficar um pouquinho mais safado. Sou tão inocente, mas tão inocente, que quase ninguém acredita. Às vezes, nem eu mesmo consigo acreditar.



SÓ SEI QUE NADA SEI


Estudei Filosofia na USP. Fui aluno de Marilena Chauí, Oswaldo Porchat, Franklin Leopoldo e Silva, Ricardo Mário Gonçalves, etc. — dos quais recebi influências lógicas fundamentais. Quis ser jornalista pela ECA, mas parei na metade. Estudei Direito também na USP (Largo São Francisco), onde meu maior Mestre era Gofredo Silva Telles. Abandonei a faculdade de Direito no sexto semestre para tornar-me fotógrafo profissional. Ainda estudei Economia, por dois anos, o que me ajudou a entender um pouco mais a vida. Sou sócio-fundador da Ordem Nacional dos Escritores, onde ocupo a cadeira número seis, cujo patrono é Graciliano Ramos. Fui diretor de comunicações do Clube de Poesia de SP na gestão Ives Gandra Silva Martins.
Hoje, nas horas vagas, viro um construtor de pirâmides. Além de escritor, sou empresário romântico na área de Construção Civil, onde pude constatar que a Classe Operária jamais irá para o Paraíso. Mas isso tudo não tem a mínima importância, nem pra mim, nem pra você. Só tem uma coisa muito boa que eu quero te contar: em fevereiro de 2012 pretendo abrir, talvez aqui no Guarujá, uma deliciosa filial histórica dos Jardins de Epicuro — que será um Centro de meditação, dança, discussões filosóficas e demais porraloquices do gênero. Eu te convidarei.



É impossível ser feliz sem liberdade.


Por isso o que eu hoje prego é um delicioso convite à transformação pessoal; é uma busca infatigável por algo que é fundamental à dignidade da vida humana: a própria liberdade. O que proponho vai no sentido de uma ruptura com esse marasmo em que nossa vida quase se transforma. Uma violenta, radical e doce ruptura com essas normas injustas, e com tudo o que de alguma forma nos oprime. O que eu prego não é uma provocação: é um desafio emocionante: é a possibilidade aberta de uma escolha consciente do próprio caminho da vida. Nada mais. Nada menos.


Sou amigo de todas as minhas ex-namoradas. Especialmente Joyce Ann.


Sou a favor do amor livre, mesmo porque seria burrice defender o amor preso. Amante dos Beatles e dos Rolling Stones, gosto de Zé Ramalho a Beethoven. Geralmente moro sozinho, mas adoro jantar com meus amigos e meus amores. Só não janto com inimigos. E não tenho medo, não tenho ciúmes, não tenho pressa.
Sempre me afasto das pessoas perigosamente normais. E penso que só quem salta inteiro no belo escuro azul profundo da vida é que pode viver e brilhar de verdade.



No começo eu era um marxistazinho empedernido. Aos doze anos, já queria salvar a classe operária, mal sabendo que classe que não tem classe não se salva. Se afunda... Eu li o Livro Vermelho, de Mao Tsé-tung. Li "O Capital" inteiro, rabiscando página por página, e escrevi uma tese sobre Lênin. Tive que apoiar até mesmo o realismo socialista que chegava de Moscou. Virei comunista, fui preso pela ditadura militar, sofri censura, invadiram minha casa — e eu achava tudo isso uma delícia. Mas, como todo bom comunista, achava o grande Freud dispensável, e considerava a psicanálise apenas uma "técnica de manipulação pequeno-burguesa". Mas eis que o Acaso na esquina da vida em forma de vaso caiu-me por sobre. E o meu grande amigo Gaiarsa me virou a cabeça. Apaixonei-me por ele e pelas coisas que dizia. Coisas óbvias, mas que eu nem percebia.

Mudei.

Conheci Moreno e Reich. Deitei-me com Jung e Cioran. E depois fui jogado nos braços abertos de Osho ao lado de uma cachoeira escandalosa em São Francisco. Desabei-me sobre mim num delicioso balaio de flores e estrelas. Vi ruírem, uma a uma, todas as minhas estruturas intelectuais. Vi que a seriedade era risível. Agarrei-me ao Livro Orange. Destruí as minhas convicções. Rasguei minhas gravatas, desfiz os meus laços, descasei-me em baciada. E aquilo que sempre desprezei passou a ser fundamental, de uma hora para outra. Nietzsche, de quem eu mantinha enorme distância política, passou a ser meu sócio delirante nas loucuras mais gostosas. Comecei a dançar a vida com Roger Garaudy. Tirei a máscara e mostrei meu rosto. Existenciei-me. Transei com Sartre, e beijei Henry Miller na boca. Meu Deus! Acordei para sempre. E o próprio tempo passou a ser meu. Enfim, assumi o comando do meu destino. E agora estou aqui... te olhando nos olhos e pensando loucuras. Pensando em te convidar para saltar comigo. Para saltar profundo como eu saltei.




Sei que tenho contradições — porém são todas não antagônicas. Como filósofo, desde a minha doce adolescência, sempre fui ateu, mas hoje Deus me adora tanto, que passamos a ser amigos. E Jesus é um dos meus heróis. Ambos me abençoam, certamente, pois nunca fico doente: há dezoito anos que não tomo nenhum remédio, exceto vinho. Não tenho dor de cabeça, nem de barriga, nem de garganta. Não tenho dor alguma. Não tomo sequer aspirinas. Deixei de ser comunista, mas continuo achando que o Capitalismo não é o Fim da História. Gosto de Fidel Castro e até de Hugo Chávez, assim como gosto de Beethoven e Velazques. Nunca briguei com minha mãe – nem ela comigo. Houve tempos em que fui primogênito; hoje sou filho único. Há cerca de vinte anos que não perco a calma: tenho completo domínio dos meus estados de espírito. Embora tenha casado cinco ou seis vezes, com seis ou sete mulheres encantadoras, meu estado civil ainda é o original. Mas, é bom deixar bem claro: antes de morrer solteiro, eu vou VIVER solteiro.

Geograficamente, nasci em Itararé, e já vivi e ainda vivo em vários lugares: São Paulo, Guarujá, São Vicente, São Francisco, Salvador e Buenos Aires. Mas se me perguntam onde moro, sempre respondo: Eu moro em Mim.




Dentre as minhas muitas frases, eis algumas:

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as!
O auge de uma paixão está sempre no começo dela.
Sempre danço conforme a música. Mas, antes, escrevo a partitura.
Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Os saudáveis enlouquecem. Os outros ficam por aí, parecendo normais.
É um desperdício imperdoável ter um grande coração — e deixar nele um único amor.
Sempre que nos afastamos do caminho da verdade acabamos violando nosso direito de ter sorte.
Eu não nasci para satisfazer as expectativas de ninguém — nem mesmo as minhas.
As súplicas de um desgraçado nunca fazem com que Deus mude o curso dos acontecimentos.
Ceder uma vez só é muito mais difícil do que ceder nunca.
O ciumento quer o olho. Os amantes, os olhares.
Se eu não for louco por mim — quem será?
Prefiro ser um gladiador ensanguentado a ser um boi feliz.
Nasci num big-bang. Buracos negros me atraem. Eu adoro supernovas.
Rebelde que depende da mesada pra comprar seu pirulito é apenas um palhaço.
O Pico é uma delícia. Por isso todo grande amor tem que ser deixado no Pico.
Só tem uma coisa pior do que morrer: — é viver pouco.
Pra dormir eu conto ovelhas, pra acordar eu conto amores.
Sou cigano, mas quando te leio as mãos não te quero ver a sorte: eu te quero ver amor.
Não permita que terceiros decidam sobre os caminhos que só você sabe se tem mesmo que trilhar
Sempre que possível, deixo o oponente supor que me venceu.
Nem penso em preencher meus dias com trabalho escravo.
A fé move montanhas. A paixão, cordilheiras.
Eu descubro as verdades: adoro vê-las nuas.
Só o que está morto não muda.
Você ama como um simples mortal, ou já sarou?
Deus é justo: quando faz o insensato, tira-lhe a razão.
Eu te amo quando te ajudo a ser mais livre do que eras quando eu te conheci.
Jamais trairei os meus amores simultâneos.
Eu não caio em tentação: elas é que sobem até mim.
Compreender-me não é imprescindível. Interessam-me as tuas emoções.
Quanto mais insustentável for uma relação, mais difícil é sair dela.
Só somos o que somos porque fomos o que fomos.
Viver é recomendável.
Em vez de salvar a relação, eu prefiro salvar o meu amor.
Dúvida é o deus a quem dedico a minha fé.
O sábio, quando se apaixona, se ilumina. O idiota, fica bobo.
Quem nasceu pra jacaré nunca chega a crocodilo.
Aceitar o inevitável é uma sábia decisão.
Ser livre tem um preço. Enorme. Mas vale a pena pagá-lo à vista.
Temos que ser infiéis às nossas convicções — ou não mudaremos nunca!
Eu não vim distribuir água: eu vim distribuir sede.
Tenho duas coisas enormes: talento e modéstia.
Esta última frase é uma brincadeira...

Blog principal =
www.MUDE.blogspot.com


Livros que eu levaria para uma ilha deserta: a Biografia de James Joyce, escrita por Richard Ellmann; todos os de Henry Miller. E os meus. Mulheres que eu levaria para uma ilha deserta: Joyce Ann, Rose, Dora, Edna, Suzana, Beatriz, Paloma, Fábia, Fernanda, Janaína, Geiciane, Daniela, Carol, Alessandra, Fátima, Jo, Verinha, Vera, Eliana, minha Mãe, duas das minhas irmãs, você, e aquela por quem me apaixonei ontem à tarde — todas numa viagem só. Homens nessa mesma viagem: Meu pai, Jesus, Gaiarsa, Buda, Sócrates, Osho, meu cunhado Fernando, meu irmão Luiz José, e um amigo que depois direi o nome. Crianças: Victor e Giulia.



UMA ILHA DESERTA E GREGA

Ainda vou reunir esses deliciosos loucos e loucas, esses santos e santas que eu amo e amei, essas deusas e musas que já conheci e ainda encontrarei, convidá-los a subir num barco, um barco enorme — um navio, transatlântico — levá-los todos para uma ilha luminosa, deserta e grega, e viver com eles para o resto das nossas vidas. Em liberdade absoluta. Falando todas as línguas, amando de todas as formas, bebendo de todos os vinhos, rezando a todos os deuses... A vida seria uma outra festa. Viveríamos dançando todas as danças, ouvindo todas as músicas, escrevendo poesias de amor, plantando flores e colhendo estrelas, tomando sol, sorrindo e gargalhando. E transando com a própria Vida, todo dia, o dia todo.


Em síntese: É melhor dançar no arco-íris do que andar na linha do trem.



Obras publicadas:

"Manual da Separação", 160 pág, Ed. Filosoft,1998, SP.
"O Canto dos Poetas", antologia da Ordem Nacional dos Escritores.
"Beijos no céu da boca", Ed. Do Autor, 1985, esgotada.
"Mude", poema ilustrado, 96 pág,
PandaBooks Editora Original, SP, 2006.
"Rodamundo 2005" – escritores de vários países. Ed. Ottoni, 2005.
"Blog de papel" –
Editora Gênese, 128 pág, SP, 2005.
Poema MUDE –
faixa 4 do CD Filtro Solar – de Pedro Bial.

Inúmeras antologias publicadas. Textos em milhares de sites e blogs. Artigos em jornais, teses e bilhetes. (Claro que os bilhetes são hoje muito mais interessantes do que as teses...)


Mas aqui tem um outro aspecto da minha biografia.



SOU BISNETO DA REBELDIA


Meu bisavô, aos sessenta e dois anos de idade, na década de trinta do século passado, abandonou tudo e apareceu por aqui trazendo no colo uma adolescente chamada Loucura. Um despropósito, disseram todos. Mas o verdadeiro rebelde não hesita entre viver e morrer. O velho Luiz Marques, atolado numa estabilidade massacrante, não havia desistido de procurar aquela coisa que atende pelo singelo nome de felicidade.

Gastou janeiro fazendo planos, um mês inteiro ouvindo vozes, que nem Moisés. E aquela menina passando ali, na frente dele, uma tentaçãozinha vestida de chita, descalça, cabelos soltos, meio ressabiada... Os peitinhos despontando. Então o fazendeiro abandonou tudo: as propriedades e as impropriedades que a elas se ligam, a esposa controladora, os filhos perplexos, as fazendas, as noras, os netinhos, os novilhos e as velhas emoções.

Tudo por causa de Vitalina.

Por aquela menina delicada ele daria o mundo. Por ela, e pelo que então simbolizava aquele amor, ele abandonou mais de mil cabeças de gado e todas as certezas que lhe haviam dado como herança. Era um autêntico rebelde: acabou trocando o futuro garantido e certo, porém morno, por um presente delicioso e faiscante. Jogou fora o velho baú de premissas usadas, quebrou as algemas — e caiu na Vida. Trocou um milhão de verdades antigas por uma pequena mochila de sonhos. Porque, você sabe, não dá para salvar a alma sem antes salvar o corpo. E o que mais excita o o coração de um ser humano é a possibilidade aberta de uma nova vida. O respeitável senhor Luiz Marques tomou aquelas decisões que só os grandes homens conseguem tomar: montou o cavalo negro do risco absoluto e partiu! Pois ele também já sabia que o único crime que não tem perdão é desperdiçar a vida. Abandonou tudo para não ter que abandonar a própria existência naqueles caminhos já percorridos.

Não fosse por isso, eu não estaria aqui, agora, à beira do mar, tomando um belo copo de vinho branco e contando essas coisas todas pra você.

Sou portanto bisneto da rebeldia.

Sou bisneto da rebeldia, neto da emoção, filho da loucura, irmão do desejo, primo do prazer, amigo da liberdade, e amante de todos os meus amores. E existo, por incrível que pareça. No céu da minha boca não há fogos de artifício. Só estrelas.




Com base na tese que defendo no livro Teoria do Acaso, só somos o que somos porque fomos o que fomos. O destino não passa de uma inegável sucessão de acasos. A liberdade é sempre condicionada pela base material da existência.
Se meu bisavô não tivesse raptado sua amada Vitalina em 1920, eu sequer existiria. Se alguém batesse à porta do meu pai minutos antes de ele transar com minha Mãe no dia em que fui gerado, eu jamais existiria. Se Cristóvão Colombo fosse um simples contador, eu também jamais existiria. Isso vale inclusive pra você. E se eu tivesse me casado com o primeiro grande amor da minha vida, certamente não estaria aqui, agora, solteiro — e feliz. Ou talvez meu conceito de felicidade fosse outro, e eu hoje poderia estar mais feliz ainda. Mas, com base nas estatísticas, e se o casamento é mesmo o túmulo do amor, tivesse casado, eu hoje estaria morto — no sentido figurado, ou de verdade, tanto faz. Como se vê, o acúmulo das decisões tomadas por nós determina a situação presente. Nesse sentido, se eu mudasse qualquer das decisões que tomei, por menores que fossem, em qualquer momento anterior da minha vida, nada do que vivi após essa decisão teria acontecido como aconteceu. E hoje eu não seria o que sou. Poderia estar melhor ou pior, não importa. O que realmente importa é que toda decisão é crucial. Portanto, reflita bastante sobre as decisões que você estiver tomando hoje. Elas determinarão o teu futuro, necessariamente. E como mudar o passado não é mais possível, tente mudar o futuro. Se esse caminho que você hoje percorre pode desembocar na escuridão, tome providências imediatas. Às vezes, na vida da gente, logo ali à frente pode haver uma emboscada. Ou uma porta escancarada para o céu, não se sabe.

Você pode ler os capítulos iniciais desse livro AQUI.